O Parque Nacional de Itatiaia

Se vocês sonham de descobrir um dia a Toundra da Sibéria, os Highlands da Escócia ou o Altiplano andino, se vocês querem conhecer um clima frio bem diferente do clima tropical do Brasil, não precisam ir a milhares de kilometros da sua casa. Mãos ao volante e rumem para a parte alta do Parque Nacional de Itatiaia no inverno. O lugar é completamente diferente de qualquer outra região que vocês já conhecem no Brasil. A vegetação é baixa, acostumada ao mesmo clima frio que as regiões do norte da Europa ou do Sul da América Latina. A luz é a luz das montanhas, um pouco agressiva de dia, laranja e vermelha na hora do amanhecer ou do por de sol. E esse altiplano brasileiro tem uma outra característica mais extraordinaria ainda: ele é coberto por milhares de gigantes blocos de pedra que parecem asteroides caidos do ceu. A rocha desses blocos tem a mesma textura que o granito, mas é de um tipo quase único em nosso planeta: chama-se nefelino sienito.

O Parque Nacional de Itatiaia foi fundado em 1937, é o parque nacional mais antigo do Brasil. O parque é localizado na Serra da Mantiqueira, na divisa entre os estados do Rio e de Minas Gerais, a 450 kilometros de Belo Horizonte.
A estrada que chega ao planalto do parque de Itatiaia é a mais alta do Brasil, a 2450 m de altitude. Os treze últimos kilometros são de terra e bastante sofridos para o carro, mas se tivesse uma autopista que chegasse até a portaria, os 300 km2 de natureza selvagem do parque não teria o mesmo sabor para o visitante aventureiro.
Para quem gosta de caminhar ou escalar em grandes espaços abertos e vazios de rastro humano, o planalto de Itatiaia é provalvamente um dos dois ou três melhores lugares do Brasil. Você vai encontrar algumas vias esportivas, mas vai precisar levar móveis para escalar a maioria das vias.

Apresentamos aqui algumas fotos do último final de semana que passamos nesse pequeno eden preservado.




O melhor lugar para escalar fica na Prateleiras. Um dia um deus novinho amontoou dezenas de blocos de pedra gigantes para construir um castelo, e alguns millões de anos depois sobrou isso:


Uma tartaruga, um esqueleto de baleia, um quadro de Picasso, sua imaginação decidirá quando você chegará là, a alguns centenas de metros das agulhas.
Chegando mais perto, tanto faz se você já terá escolhido entre uma onça deitada ou uma sereia nadando, o grupo de pedras virará um paraíso para escaladores.



Escalamos algumas vias esportivas: a muito clássica "Sexto Sentido" (6c), a via "portas da percepção" (7c), uma via bem positiva sem agarras maiores que a ponta da unha, a via "Illusão de ótica" (8a) bem negativa que chegava a uma fenda de sétimo grau sem nome que escalamos com móveis.
Escalamos também as duas primeiras enfiadas da chaminé "Idalício" e depois subimos um trepa pedra para chegar ao topo da Prateleiras.

No pé da via Sexto Sentido, na Prateleiras:



Escalando "Portas da percepçaõ" (7c positivo):



Sentado no topo da Prateleiras, vimos embaixo um boulder muito estranho em forma de um cogumelo nuclear, ou de uma flor em botão:



Subindo para o topo da Prateleiras:



O tempo fechou no segundo dia que passamos no planalto. Estavamos caminhando para um pico de escalada quando uma nuvem que parecia um muro branco chegou rapidamente em nossa direção. Cinco minutos depois estavamos no meio de uma tormenta de granizo. O planalto ficou branco.





Acampamos no camping mais alto do Brasil.



Todos os dias de manhã, tinha uma camada de gelo encima da barraca e os riachos estavam congelados.



A montanha mais alta de Itatiaia é o pico das Agulhas Negras a 2793 metros de altura.
Para chegar ao topo dessa montanha, escalamos a via Oba Oba, definitavamente o terceiro grau mais difícil que já escalei! Para um escalador acostumado a escalar muros de academia ou paredes de calcario negativas, um terceiro grau de aderência no estado do Rio é bem mais difícil que qualquer sétimo grau negativo...

Escalando a via Oba Oba:





No topo das Agulhas Negras:





A rocha, apesar de ter a mesma aparência que o granito, é sem dúvida muito diferente. A água de chuva criou centenas de canaletas profundas como se a rocha fosse muito macia.
As Agulhas Negras parecem ter sido penteadas por um pente gigante:




O planalto de Itatiaia, lugar mágico entre as nuvens e o céu:







Todo final de tarde, subiamos para o topo das formações rochosas para admirar o pôr de sol.


Festival de Boulder da Pedra Rachada

No dia 14 de Setembro, o dia seguinte do Rokaz Bloc, acontecerá a 4ta edição do famoso Festival de boulder da Pedra Rachada.

Vai ter escaladores do Brasil inteiro, o pico de escalada é excelente, perto de BH, aproveitem!


Para ter mais informação sobre o evento, visitam essa página.





ROKAZ BLOC Inverno 2008

No dia 13 de Setembro, sábado, das 14:00 às 17h00, e com uma final as 19:00, acontecerá o primeiro festival de boulder da Rokaz.
O ROKAZBLOC será um festival aberto para iniciantes e prós. Haverão 35 boulders com dificuldade entre V0 a V10.

Venha participar e assistir alguns dos melhores escaladores do Brasil em ação.

Inscrições abertas na Rokaz, via email -rokaz@rokaz.com.br- ou pelo 31 2535-9800. Vagas limitadas, garanta a sua.





A MTV Brasil na Rokaz!

Hoje a MTV Brasil gravou o programa Trilha MTV na Rokaz.
O programa visava mostrar algumas atividades que Dora Vergueiro gosta de fazer em Belo Horizonte. Ela que gosta tanto de esportes radicais e adrenalina, escolheu logicamente a escalada na Rokaz! Ela ficou impressionada com a estrutura da academia.

Avisaremos quando o programa for passar na telinha...






A Dora escalando na Rokaz:


Projeção de fotos da Rokaz Trip na França

Olá amigos, voltamos da nossa trip na França!
Apresentaremos as fotos da viagem na quinta da semana que vem, dia 21 de Agosto, a partir das 21:30, num telão na Rokaz.
Venham ver as fotos de alguns dos melhores picos do mundo de escalada esportiva, de boulder e de alpinismo. Todo mundo está convidado!

Entrada franca.



Rokaz Trip na França (7): Chamonix Mont Blanc

Na segunda passada, chegamos em Chamonix, a capital mundial do alpinismo. A cidade se localiza no fundo de um vale estreito e muito profundo, no coração dos Alpes franceses.
Em cima de Chamonix, dezenas de montanhas verticais, agulhas de granito e de gelo de mais de 4000m de altitude, desenham uma paisagem montanhosa espectacular.
Nesta época do ano a cidade está lotada de turistas e alpinistas, particularmente durante os mêses de Julho e Agosto no verão europeu.
Preferimos procurar tranquilidade e dormir fora da cidade. Descobrimos por acaso um bivaque ideal numa floresta a alguns kilometros da cidade. Nosso sono profundo foi incomodado só por alguns javalis procurando comida no meio da noite...





Em Chamonix, nos encontramos com dois amigos franceses. Resolvi deixar Yan e o Gustavo um dia e meio em Chamonix para tentar uma escalada dificil com meus dois amigos franceses.
Subimos na terça a tarde um vale de gelo famoso perto da cidade, o vale "d'Argentières".
O vale estava deserto porque o refúgio está passando por reformas e este ano não abrirá.

Fotos da subida do glaciar gigante de Argentières:





Esse vale é muito famoso porque dele surgem dois dos paredões de gelo mais dificeis dos Alpes: a Face Norte dos "Droites" e a face Norte dos "Courtes".
Escolhemos um lugar plano para bivaquar, estudamos bastante as duas faces e finalmente escolhemos a Face Norte dos "Courtes" que parecia em melhores condições.

Eu, comendo no bivaque, estudando a via do dia seguinte na Face Norte dos "Courtes":



A via que estavamos querendo escalar segue uma canaleta de gelo quase vertical de 850 m de altura no meio da Face Norte dos Courtes :



O bivaque, a 3000 metros de altura:



Depois de 3 horinhas de sono, acordamos a 12h30 para escalar a primeira parte do paredão a noite e aproveitar as temperaturas negativas: com menos 15 graus, o gelo fica bem duro e mais seguro de escalar.


Mas a escalada foi bem mais dificil do que o previsto: o gelo estava muito fino em cima das rochas, apenas 10 cm , e não deu para proteger-se com parafusos de gelo (de 20 cm de comprimento em média).
As paradas eram bastante ruins, usamos só alguns moveis entre gelo e rocha. Nesse tipo de paredão, não têm descanso nenhum, o direito de cair não existe, a forma física e mental deve estar ótima...
Demoramos bem mais do que o previsto, quando o sol chegou às 7 da manhã, tinhamos escalado um terço do paredão !!
O problema com o sol é que quando ele chega, a temperatura passa a ser positiva, o gelo começa a derreter, a neve fica fofa, e os dois piolets e dois grampões não seguram tão bem o peso do corpo...




Finalmente esse dia foi tão frio que a neve ficou bastante dura o dia inteiro, mesmo com a chegada do sol. Conseguimos escalar a segunda parte do paredão a francesa, ou seja os três escaladores juntos sem fazer paradas, para ganhar um tempo precioso.
O final do paredão era misto, neve e granito:






Os 150 últimos metros se resumian em neve... somente .... neve, muito ingreme:



O cume dos "Courtes", uma aresta linda:




O visual do cume:
A esquerda, as famosas "Grandes Jorasses", e a direita, o mais famoso ainda "Mont Blanc", topo da Europa com 4810m de altitude:



No cume não pode cair, tem dois paredões de 800m de altura de cada lado!




A descida do outro lado menos vertical da montanha foi dificil também por causa da neve que estava muito fofa.
Chegando no glaciar no fundo do vale, achamos alguns pedaços de um avião que tinha caído la alguns meses atrás!




Depois passamos no pé do paredão mais famoso dos Alpes: a face Norte das Grande Jorasses, 1200 metros de gelo e granito verticais! Esse vai ficar pro ano que vem!!



Depois de 3000 metros de desnível de descida, chegamos no vale na quarta à noite, bastante cansados...
Nos encontramos de novo com o Yan e o Gustavo que estavam muito animados para escalar altas montanhas.
Decidimos escalar o Mont Blanc nos dois dias seguintes. Para o Yan e o Gustavo, ia ser com certeza um desafio grande porque eles não estavam aclimatados à altitude ainda...

No camping, o Gustavo e o Yan, preparando o material para subir o Mont Blanc, com dois piolets cada um:



Para subir o Mont Blanc, escolhemos uma via PD (Pouco Dificil, a escada de graus usada para alpinismo na França vai de F a ED, de Facil a Extremamente Dificil).
Não é a via mais fácil porque é bastante comprida, mas ela é muito pratica porque um teleférico leva os alpinistas até 3800m de altitude, graças ao teleférico da agulha do "midi".
Na quinta-feira subimos então até o topo da agulha do Midi com o teleférico.

Do topo do teleférico, os turistas podem observar os alpinistas descendo da agulha :



Da agulha do midi, da para ver o Mont Blanc, a montanha mais alta ao fundo:



Dois alpinistas subindo a agulha do Midi (mais uma foto tirada do topo do teleférico):




Na foto seguinte, Gustavo e Yan estão descendo a aresta da agulha do midi. Foi a primeira vez que o Gustavo usou grampões!





Depois de meia hora de descida, chegamos no acampamento: um glaciar plano no pé da primeira montanha, teriamos que subir no dia seguinte para chegar até o Mont Blanc: o Mont Blanc du Tacul (4248m).



Gustavo e Yan chegando no acampamento:



Depois de montar a barraca, reparamos que o Gustavo tinha esquecido todas as panelas que tinhamos preparado com cuidado! Mandamos ele visitar todas as barracas vezinhas para pegar algumas emprestadas...

Na foto sguinte, o Yan esta comendo dentro da barraca: depois do por de sol, a temperatura desce, desce ainda, 0 grau, menos 5, menos 10...




O dia seguinte acordamos 1h da manhã e començamos a subir o Mont Blanc du Tacul.



Em baixo dos 4000 metros de altitude, o Gustavo estava tranquilo ainda, ele subiu contando altas piadas...



Observamos o sol nascente terminando o crux da via, um lance de 60 metros a 45 graus de gelo e neve:




Descubrimos que, infelizmente, o dia era bastante nublado. Mas as vezes, as nuvens deixam as fotos mais lindas...



Depois do Mont Blanc du Tacul, escalamos o Mont Maudit (4465m), a segunda montanha na longa via para o Mont Blanc:



Na ultima parte da subida, entre o Mont Maudit e o Mont Blanc, uma camada de nuvens altas parecia a uma tampa sobre a montanha:



De repente, a partir de 4300 m de altitude, o Gustavo parou de falar, o rosto dele virou branco como neve, e ele començou a cair na neve cada 50 metros como Jesus no caminho da cruz. O yan também començou a sentir-se fraco. Ninguem escapa do mal de altitude se nao estiver aclimatado...



Mas finalmente, a vontade de chegar até o cume foi maior que a dor fisica e chegamos no topo da Europa depois de 7 horas de caminhada intensa, nossos dois herois esgotados...



O Gustavo na frente e o Alexis atras, na direita tem outra dupla de alpinistas no cume:



Na descida o tempo melhorou bem, començamos a sentir calor.




Chegando no Mont Maudit, olhamos por tras e vimos a ultima parte da subida até o cume do Mont Blanc com alguns alpinistos atrasados:





O gustavo e o Yan descansando na descida, com o cume do Mont Blanc atras:



Descendo de rappel o crux da via, O Yan pulando uma larga greta:



A foto seguinte mostra um paredao de gelo negativo. Nao pode ficar muito tempo em baixo, porque o glaciar vai sempre para frente e, as vezes, cai...



Alexis na descida, no Mont Blanc du Tacul:



O gustavo e o Yan num pequeno vale glaciar espectacular:




Um paredao de gelo negativo de 50 metros de altura: deu vontade de escalar, mas nao escalamos... Que pena que, as vezes, cai...




Chegamos de volta na barraca as 3 da tarde, morrendo de sede, de fome e de calor. Entre a noite e o dia, no mesmo lugar, a temperatura varia de 40 graus!

Tevimos que desmontar a barraca, e tinha ainda um ultimo desafio nesse dia longo: subir os 300 metros de desnivel até o teleférico. Foi uma corrida pois o ultimo teleférico do dia era às 6 da tarde e començamos a subir a 17:15 com mochilas de mais de 20 kilos...


Na subida encontramos um skiador descendo em alguns segundos a agulha do Midi:


Felizmente o staff bem simpatico do teleférico nos viu tentando subir rapido para chegar a tempo, e esperou até as 18:20 para descer. Que bom! A ideia de bivaquar mais uma noite a 3800 m de altitude sem panela nao nos alegrava muito...
Vinte minutos depois, estavamos em Chamonix, no meio dos turistas, no meio das lojas de material de montanhismo, do asfalto e do concreto, que contraste impressionante!
Duas horas atras, o Yan e o Gustavo pensavam: nunca mais!!
Um pouco mais tarde, de volta na terra plana demais dos homens normais, os alpinistas pensam: qual montanha vai ser a proxima?



Texto e fotos: Alexis